Tributação Mínima Global e Equidade no Sistema Brasileiro

Direito Tributário: Tributação Mínima Global e Equidade Federativa

A notícia sobre a tributação mínima global no Brasil tem gerado muitas discussões no meio jurídico, principalmente no que diz respeito à inadequação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e às regras do GloBE (Global Anti-Base Erosion) para a equidade federativa. Neste artigo, vamos abordar esses temas com profundidade, analisando os impactos da tributação mínima global no Brasil e a importância de se levar em consideração o princípio da equidade federativa nas decisões tributárias.

Tributação Mínima Global: O que é e como funciona?

A tributação mínima global é uma proposta que tem como objetivo combater a evasão fiscal e a chamada “guerra fiscal” entre países. A ideia é estabelecer uma alíquota mínima de impostos sobre as empresas multinacionais em todos os países, a fim de evitar que elas transfiram seus lucros para países com alíquotas mais baixas, causando prejuízo para as economias locais.

O projeto de tributação mínima global é liderado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que tem trabalhado para chegar a um acordo global sobre o assunto. A proposta é que a alíquota mínima seja de 15%, porém, alguns países defendem uma alíquota maior, como é o caso da França, que sugere 25%.

Inadequação da CSLL e a tributação mínima global

No Brasil, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) é um dos impostos que mais tem sido discutido em relação à tributação mínima global. Isso porque, segundo especialistas, a alíquota atual da CSLL (entre 9% e 15%) é considerada baixa e pode ser um atrativo para empresas multinacionais que desejam transferir seus lucros para o país.

Com a possível implementação da tributação mínima global, a alíquota da CSLL se tornaria insuficiente, o que poderia gerar um aumento na carga tributária para as empresas brasileiras. Além disso, a CSLL não é considerada um imposto sobre a renda, o que pode gerar conflitos com a proposta de tributação mínima global da OCDE, que tem como foco a tributação sobre os lucros das empresas.

Equidade Federativa e a importância de se levar em consideração este princípio

Um dos pontos mais relevantes a serem analisados na discussão sobre a tributação mínima global no Brasil é a equidade federativa. Este princípio, previsto na Constituição Federal, estabelece que a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios devem ser tratados de forma igualitária no que diz respeito à repartição de receitas e à competência tributária.

Com a implementação da tributação mínima global, é possível que os entes federativos que possuem alíquotas de impostos mais baixas sofram um impacto maior, já que terão que aumentar suas alíquotas para se adequar à proposta da OCDE. Isso pode gerar desequilíbrios na repartição de receitas entre os entes federativos, ferindo o princípio da equidade federativa.

Conclusão

A discussão sobre a tributação mínima global no Brasil e a inadequação da CSLL e das regras do GloBE para a equidade federativa é de extrema importância para o cenário atual do país. É preciso que as decisões tributárias levem em consideração os impactos sociais e econômicos, além de respeitar os princípios constitucionais, como a equidade federativa.

É necessário um amplo debate sobre o assunto, envolvendo todos os setores da sociedade e considerando todas as consequências que a implementação da tributação mínima global pode trazer para o Brasil. Somente assim, será possível encontrar uma solução que atenda aos interesses de todos e promova um sistema tributário mais justo e equilibrado.

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Este artigo teve a curadoria de Fábio Vieira Figueiredo é advogado e executivo com 20 anos de experiência em Direito, Educação e Negócios. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP, possui especializações em gestão de projetos, marketing, contratos e empreendedorismo.

CEO da IURE DIGITAL, foi cofundador da Escola de Direito da Galícia Educação e ocupou cargos estratégicos como Presidente do Conselho de Administração da Galícia e Conselheiro na Legale Educacional S.A.. Atuou em grandes organizações como Damásio Educacional S.A., Saraiva, Rede Luiz Flávio Gomes, Cogna e Ânima Educação S.A., onde foi cofundador e CEO da EBRADI, Diretor Executivo da HSM University e Diretor de Crescimento das escolas digitais e pós-graduação.

Professor universitário e autor de mais de 100 obras jurídicas, é referência em Direito, Gestão e Empreendedorismo, conectando expertise jurídica à visão estratégica para liderar negócios inovadores e sustentáveis.

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