Uma pessoa pode perder a capacidade de andar, ter tremores incontroláveis nas pernas ou apresentar crises que lembram convulsões — e, ainda assim, ter exames de imagem cerebral e eletroencefalograma completamente normais. Essa combinação é a marca do transtorno neurológico funcional (functional neurological disorder, ou FND), condição descrita por Mackenzi Moore, gerente de programa de uma das poucas clínicas multidisciplinares dedicadas ao tema, vinculada à University of Colorado Anschutz, em artigo republicado do The Conversation.
O texto não trata de uma mudança normativa ou decisão de tribunal: é uma explicação de estado da arte sobre como a neurociência hoje entende um quadro clínico que, durante décadas, foi tratado como puramente psicológico. Por não haver outra fonte tratando do mesmo recorte, este texto se apoia exclusivamente no relato de Moore — e é explícito, mais adiante, sobre o que esse relato não cobre.
Segundo Moore, o transtorno neurológico funcional produz sintomas motores, sensoriais ou de crises que são involuntários e fisicamente reais, mas não decorrem de dano estrutural identificável no cérebro ou no sistema nervoso. A autora relata que pacientes chegam à clínica após ouvirem repetidamente que “está tudo na sua cabeça” — frase que, segundo o relato de Laura Strom, neurologista citada no texto, passou a ser ressignificada: “é bom que esteja na sua cabeça, porque é lá que fica o seu cérebro”.
Moore descreve o processamento preditivo (predictive processing) como uma das teorias centrais hoje usadas para explicar o FND. De acordo com esse modelo, o cérebro não apenas reage a estímulos: ele constrói predições contínuas combinando experiências passadas, informações do ambiente e sinais internos do corpo. Quando a informação recebida não confirma a predição, ocorre o que pesquisadores chamam de “erro de predição”, e o cérebro normalmente ajusta a expectativa.
No FND, segundo a autora, fatores como lesão prévia, doença, dor ou estresse significativo podem levar o cérebro a atribuir peso excessivo a predições antigas em vez de atualizar com a nova informação — por exemplo, continuar prevendo que um movimento é perigoso mesmo depois que uma lesão já cicatrizou. O resultado seria fraqueza, dificuldade de locomoção ou outros sintomas persistentes sem dano contínuo ao corpo.
O artigo situa a mudança de entendimento em perspectiva histórica: a condição já foi chamada de histeria e de transtorno conversivo, categorizada como “psicogênica” — ou seja, originada primariamente em fatores psicológicos, não em alterações biológicas do cérebro. Moore associa esse histórico a vieses mais amplos na abordagem médica de queixas de saúde de mulheres, que teriam contribuído para o estigma em torno do quadro. O modelo atual, segundo a autora, desloca o foco para a comunicação entre redes cerebrais responsáveis por movimento, atenção, emoção e processamento sensorial, e para a relação dinâmica entre cérebro, corpo e ambiente.
Moore cita uma revisão publicada em 2025 que estima em até 5 milhões o número de pessoas com transtorno neurológico funcional nos Estados Unidos, com sintomas presentes em qualquer faixa etária. A mesma revisão, segundo o relato, aponta taxa de mortalidade mais que duas vezes superior à da população geral entre pacientes com o quadro. Apesar disso, a autora descreve o que chama de “deserto de tratamento”: acesso limitado a especialistas, descompasso entre oferta e demanda por clínicas dedicadas, financiamento escasso e formação insuficiente sobre o tema nos currículos de saúde.
O texto de Moore é centrado na experiência clínica e de pesquisa nos Estados Unidos, dentro de uma clínica universitária específica. Ele não traz dados de prevalência no Brasil, não menciona classificação em códigos diagnósticos (como CID-11), não descreve protocolo de tratamento no sistema público brasileiro nem legislação trabalhista sobre afastamento por FND. Também não há, no relato, nome do estudo de 2025 citado, periódico de publicação ou metodologia da revisão — apenas a estimativa numérica atribuída a ela. Pontos como esses dependem de fontes primárias específicas (sociedades médicas, órgãos regulatórios de saúde, legislação local) ainda não identificadas para este recorte.
Segundo a autora, o cenário está mudando com a abertura de novas clínicas multidisciplinares e aceleração de pesquisa. O tratamento descrito combina psicoterapia, fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, com o objetivo de “retreinar” redes cerebrais disruptivas. Moore afirma que a recuperação varia de pessoa para pessoa e que evidências crescentes mostram que melhora é possível — mas o texto não detalha taxas de resposta, tempo médio de tratamento ou critérios de alta, o que permanece em aberto neste relato.
“Talvez a comunidade médica tenha entendido errado o que ‘está tudo na sua cabeça’ sempre quis dizer” — Mackenzi Moore, no artigo original.
Para gestores de áreas de saúde corporativa, RH e benefícios, o ponto de atenção prático é que o transtorno neurológico funcional pode estar por trás de afastamentos e licenças médicas sem diagnóstico de imagem conclusivo — cenário que tende a gerar dúvida institucional sobre a legitimidade do quadro. Como a fonte consultada não aborda diretriz brasileira específica, decisões de política interna de saúde ocupacional sobre o tema devem se apoiar em orientação médica e, quando aplicável, em normas regulatórias nacionais ainda não cobertas neste relato.
A discussão sobre saúde mental, sintomas invisíveis e legitimidade de afastamentos no ambiente de trabalho conecta diretamente com o debate sobre riscos psicossociais nas organizações. Para aprofundar como esse tema se conecta à gestão de pessoas e à Norma Regulamentadora 1, conheça o curso Saúde Mental e NR-1 da Galícia Educação.
1. Exames de imagem cerebral e eletroencefalograma costumam apresentar resultado normal em pacientes com FND, segundo o relato da autora.
2. A teoria do processamento preditivo, citada no artigo, propõe que o cérebro atribui peso excessivo a predições antigas em vez de atualizar com nova informação sensorial.
3. Uma revisão de 2025, mencionada por Moore, estima até 5 milhões de pessoas com a condição nos Estados Unidos — sem detalhamento de metodologia no texto original.
4. O tratamento descrito combina psicoterapia, fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, sem protocolo único relatado.
5. O relato não cobre dados de prevalência no Brasil, classificação diagnóstica formal nem legislação trabalhista local — pontos que dependem de fontes ainda não identificadas.
Este texto foi apurado a partir das publicações abaixo. As informações atribuídas a órgãos, normas e decisões devem ser conferidas na fonte oficial correspondente.
Busca um MBA ou pós-graduação em Gestão para acelerar a carreira? Veja as pós-graduações e as certificações da Galícia Educação.
Este artigo teve a curadoria do time da Galícia Educação e foi escrito utilizando inteligência artificial a partir de seu conteúdo original publicado por Fast Company.
Quem domina gestão não espera a promoção — conquista.
Pós e MBA em Gestão: R$ 2.250 no Pix ou 12× R$ 212,50 — a mensalidade não trava o limite do seu cartão.
Prefere falar com alguém? Falar com um consultor no WhatsApp.
Para quem quer o próximo passo: de coordenação para gerência, de gerência para head.
Ver os MBAs e pós