Salário-Maternidade para o pai na barriga de aluguel

Em resumo
  • O Direito Previdenciário brasileiro, historicamente estruturado sobre o binômio custeio-benefício e modelos familiares tradicionais, enfrenta o desafio de se adaptar às novas realidades sociais.
  • Muitos doutrinadores apontam o “vácuo legislativo” como a causa das negativas do INSS. No entanto, para a advocacia prática, o problema é sistêmico e tecnológico.
  • Um ponto cego frequente na atuação jurídica envolve a figura da “barriga solidária” (gestante cedente).
  • Embora o Mandado de Segurança (MS) seja sedutor pela celeridade, ele pode ser uma armadilha em casos de gestação por substituição.

A Evolução do Conceito de Família e a Extensão do Salário-Maternidade: Do Dogma à Prática Processual

O Direito Previdenciário brasileiro, historicamente estruturado sobre o binômio custeio-benefício e modelos familiares tradicionais, enfrenta o desafio de se adaptar às novas realidades sociais. A Constituição Federal de 1988 inaugurou uma nova era ao pluralizar o conceito de família, mas é na prática forense que os gargalos aparecem. A concessão do salário-maternidade a pais solteiros ou em uniões homoafetivas — especialmente em casos de gestação por substituição (barriga de aluguel) — representa mais do que um avanço hermenêutico; trata-se da reconfiguração da natureza do benefício para um verdadeiro “Salário-Parental”.

O Obstáculo Sistêmico e a “Ficção” do Vácuo Legislativo

Muitos doutrinadores apontam o “vácuo legislativo” como a causa das negativas do INSS. No entanto, para a advocacia prática, o problema é sistêmico e tecnológico. Os sistemas do INSS (como SABI e Prisma) frequentemente não possuem parametrização para processar um requerimento de “Salário-Maternidade” vinculado a um CPF masculino sem a correspondente certidão de adoção. O indeferimento, muitas vezes, não é humano ou jurídico, é automático.

Nesse cenário, o advogado deve atuar com “malícia processual”. Tentar o protocolo padrão pode resultar em travamento do sistema. A estratégia recomendada envolve:

  • O uso de tarefas genéricas para forçar a abertura de protocolo;
  • A instrução do processo administrativo com prints das telas de erro do sistema, comprovando a negativa de acesso ao direito de petição;
  • A impetração de Mandado de Segurança não para conceder o benefício imediatamente, mas para obrigar a Autarquia a processar a análise do mérito administrativo, superando a barreira do software.

A Gestante Cedente e o Conflito de Benefícios

Para blindar o requerimento do pai solo ou do casal homoafetivo, é crucial instruir o processo com uma Declaração de Renúncia Expressa da gestante cedente em relação ao benefício previdenciário, ou prova documental de que ela não ostenta a qualidade de segurada. Sem isso, a autarquia presumirá a duplicidade de pagamento e indeferirá o pedido do pai.

Para advogados que buscam dominar essas nuances estratégicas e evitar armadilhas processuais, o aprofundamento técnico é indispensável. A Pós-Graduação em Direito e Processo Previdenciário Aplicado oferece o arcabouço necessário para lidar com a complexidade probatória desses casos.

Estratégia Processual: O Risco do Mandado de Segurança

Embora o Mandado de Segurança (MS) seja sedutor pela celeridade, ele pode ser uma armadilha em casos de gestação por substituição. O conceito de “direito líquido e certo” exige prova pré-constituída irrefutável. Em situações fáticas complexas — onde é necessário provar quem exerce o cuidado de fato, a ausência de maternidade biológica efetiva e a dependência econômica do menor —, o MS não admite dilação probatória (oitiva de testemunhas ou perícias sociais).

A via mais segura e tecnicamente recomendada é a Ação Ordinária com Pedido de Tutela de Urgência. Nesta via, é possível produzir prova robusta da exclusividade do cuidado paterno, essencial para convencer o juízo a aplicar o entendimento do Tema 1072. O advogado deve argumentar o periculum in mora baseado na natureza alimentar da verba e na necessidade imediata de subsistência durante o afastamento laboral.

Robustez Probatória: Indo Além do Contrato Particular

A instrução probatória não deve se limitar a contratos particulares de “barriga de aluguel” ou termos de consentimento simples. Para o Direito Previdenciário, a prova plena exige formalidade. Recomenda-se:

  • Escrituras Públicas Declaratórias de reconhecimento de filiação e intenção parental;
  • Homologação judicial dos termos de reprodução assistida, quando possível;
  • Laudos médicos que comprovem a técnica de reprodução assistida heteróloga, afastando a presunção de maternidade genética da gestante;
  • Certidão de nascimento já averbada ou a decisão judicial que determinou o registro.

Distinção Técnica: Salário-Maternidade vs. Licença-Paternidade

É um erro técnico afirmar que a licença-paternidade é “absorvida” pelo salário-maternidade. Tratam-se de institutos com naturezas jurídicas distintas: o Salário-Maternidade é um benefício previdenciário (custeado pelo INSS/compensação tributária) que substitui a remuneração, enquanto a Licença-Paternidade é um benefício de ordem trabalhista (pago pelo empregador) de curta duração.

Ao obter o salário-maternidade (120 dias), o pai entra em afastamento total do trabalho. Consequentemente, a licença-paternidade torna-se inócua ou redundante, pois o contrato de trabalho já está suspenso/interrompido pela licença maior. O advogado deve esclarecer isso ao empregador do cliente para evitar conflitos na folha de pagamento e nos recolhimentos fundiários.

Considerações Finais

O reconhecimento do salário-maternidade para pais em arranjos familiares não tradicionais não é apenas uma vitória civilizatória, mas um campo de batalha técnica para a advocacia. O sucesso não depende apenas de citar princípios constitucionais, mas de saber operar as engrenagens travadas do sistema previdenciário, instruir o processo com provas públicas e escolher a via judicial adequada para a produção de provas.

Em um mercado saturado, destaca-se o profissional que compreende não apenas o “direito de ter”, mas o “como obter”. A formação continuada e especializada, como a encontrada na Pós-Graduação em Direito e Processo Previdenciário Aplicado, é o diferencial entre uma tese aventureira e uma vitória consistente.

Perguntas frequentes

1. O pai solteiro precisa comprovar a inexistência da mãe para receber o benefício?
Sim. É imprescindível demonstrar que não há uma figura materna reivindicando o benefício (como a gestante solidária) ou exercendo o papel de cuidadora principal. Recomenda-se a juntada de declaração de renúncia da gestante ou prova de que ela não é segurada do RGPS, para evitar o indeferimento por suposta cumulação indevida.
2. Qual é a duração do benefício para o pai nesses casos?
A duração é de 120 dias, conforme o artigo 71 da Lei 8.213/91. A lógica é equiparar o tempo de cuidado exclusivo que a criança teria direito, garantindo a proteção integral independentemente do gênero do genitor.
3. Posso acumular Salário-Maternidade e Licença-Paternidade?
Na prática, não. O Salário-Maternidade pressupõe o afastamento integral das atividades laborais. Uma vez concedido, o gozo da licença-paternidade (5 ou 20 dias) torna-se redundante, pois o contrato de trabalho já estará suspenso para o gozo do benefício maior. Não se trata de absorção jurídica, mas de incompatibilidade fática de gozo simultâneo.
4. O sistema do INSS aceita o requerimento administrativo automaticamente?
Raramente. Os sistemas SABI/Prisma muitas vezes não habilitam a concessão para o gênero masculino sem vínculo de adoção cadastrado. O advogado deve estar preparado para provocar o protocolo via tarefas administrativas alternativas ou judicializar a exigência de análise do mérito.
5. O Mandado de Segurança é a melhor via judicial?
Geralmente não. O MS não admite dilação probatória. Se o juiz entender que é necessário comprovar quem exerce o cuidado de fato ou a dependência econômica através de testemunhas ou perícia, o processo será extinto sem resolução de mérito. A Ação Ordinária com Tutela de Urgência oferece maior segurança processual para a produção de provas. Acesse a lei relacionada em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm Busca uma formação contínua com grandes nomes do Direito com cursos de certificação e pós-graduações voltadas à prática? Conheça a Escola de Direito da Galícia Educação . Este artigo teve a curadoria do time da Galícia Educação e foi escrito utilizando inteligência artificial a partir de seu conteúdo original em https://www.conjur.com.br/2025-dez-14/pai-de-crianca-concebida-por-barriga-de-aluguel-tem-direito-a-salario-maternidade/. Advogado que se especializa cobra mais — e escolhe onde atuar. Pós em Direito: R$ 2.250 no Pix ou 12× R$ 212,50 — a mensalidade não trava o limite do seu cartão. Prefere falar com alguém? Chamar um especialista no WhatsApp .
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