O caminho para a formação em advocacia criminal, uma das áreas mais fascinantes e desafiadoras do Direito, começa com a obtenção do diploma em Direito. Para entender quanto tempo leva para se tornar um advogado criminalista, é necessário primeiro compreender as etapas envolvidas na formação jurídica no Brasil, desde a graduação até a especialização profissional.
O curso de Direito é, historicamente, uma das graduações mais procuradas no país. Ele oferece uma base sólida de conhecimentos sobre as leis, a Constituição e os sistemas jurídicos brasileiros, capacitando os formandos a atuarem em diversos ramos do Direito, incluindo o Direito Criminal. No entanto, para atingir esse objetivo, há um longo percurso acadêmico e profissional que precisa ser enfrentado.
O primeiro passo para se formar na área de advocacia criminal é cursar a graduação em Direito, que tem duração de cinco anos no Brasil. Durante esse período, o estudante terá contato com disciplinas teóricas e práticas que abrangem várias áreas do Direito, incluindo Direito Penal, Constitucional, Civil, Trabalhista e Internacional.
Além disso, ao longo da graduação, os alunos precisam realizar estágios obrigatórios supervisionados e cumprir com as exigências de atividades complementares, que são fundamentais para obter o diploma. Esses estágios proporcionam experiências práticas nas atividades jurídicas, incluindo áreas criminais, sendo uma oportunidade para os futuros advogados começarem a vivenciar os desafios e responsabilidades da profissão.
A estrutura curricular do curso de Direito é dividida em dois grandes ciclos: o ciclo básico e o ciclo profissionalizante.
1. Ciclo básico: Nos primeiros semestres do curso, as disciplinas abordam os fundamentos do Direito, Filosofia, Ciências Sociais, Administração Pública e outras áreas gerais que ajudam a configurar uma base sólida para o entendimento das normas e princípios legais.
2. Ciclo profissionalizante: Nos últimos semestres, o foco é direcionado para disciplinas específicas, como Direito Penal, Direito Processual Penal e Criminologia. Para aqueles interessados em advocacia criminal, essas disciplinas têm papel fundamental, visto que permitem o aprofundamento técnico nos temas que lidam diretamente com o Direito Criminal.
Após concluir os cinco anos da graduação, a próxima etapa para quem deseja se tornar advogado criminalista é a aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Esse exame é obrigatório para quem deseja exercer a advocacia no Brasil e, por isso, é considerado um divisor de águas na carreira jurídica.
O exame é composto por duas etapas:
1. Prova objetiva: Com questões de múltipla escolha que avaliam o conhecimento do candidato em várias áreas do Direito, incluindo Penal.
2. Prova prático-profissional: Essa fase inclui a redação de peças jurídicas e questões discursivas, sendo possível escolher a área de concentração. Muitos candidatos interessados em advocacia criminal optam por fazer o exame com foco em Direito Penal, o que já representa um direcionamento na especialização.
A preparação para o exame pode demandar meses adicionais de estudo após a conclusão da graduação, dependendo da dedicação e do conhecimento de cada candidato. Portanto, o tempo para se formar como advogado criminalista pode se estender além do período de graduação devido à necessidade de aprovação na OAB.
Após ser aprovado no exame da OAB, o advogado está apto a atuar na área criminal. No entanto, para se destacar em um mercado tão competitivo, muitos profissionais optam por se especializar em Direito Penal, Processo Penal ou Criminologia, realizando cursos de pós-graduação, mestrado ou até doutorado.
A especialização em Direito Penal ou Processual Penal costuma durar entre 12 e 18 meses, dependendo do curso escolhido. Essa formação adicional permite ao advogado aprofundar seus conhecimentos em temas específicos da área criminal, como crimes cibernéticos, crimes contra a vida e sistemas penais internacionais.
Para aqueles que desejam seguir uma carreira acadêmica ou buscar uma especialização ainda mais profunda, o mestrado (que pode levar de 2 a 3 anos) e o doutorado (de 4 a 5 anos) são opções viáveis. Essas formações exigem o desenvolvimento de pesquisas avançadas e contribuem para o aprimoramento teórico e prático do advogado criminalista.
Embora a formação acadêmica seja essencial, a experiência prática é outro fator determinante para a atuação como advogado criminal. Muitas vezes, recém-formados optam por trabalhar como assistentes em escritórios de advocacia ou órgãos públicos para ganhar experiência antes de atuar de maneira independente.
Essa vivência prática pode ser adquirida durante os estágios obrigatórios da graduação ou após a conclusão do curso, por meio de práticas jurídicas em delegacias, tribunais ou em parcerias com defensores públicos. A prática contínua ajuda a desenvolver habilidades de argumentação, negociação e defesa, que são indispensáveis na advocacia criminal.
Assim, o tempo necessário para se formar em advocacia criminal varia de acordo com as escolhas do profissional. Considerando apenas a graduação em Direito (5 anos) e o tempo para obter a aprovação no exame da OAB (que pode variar de meses a alguns anos, dependendo de cada caso), o tempo mínimo é geralmente entre 5 e 6 anos.
No entanto, para aqueles que optam por realizar pós-graduação ou buscar uma especialização mais aprofundada, o tempo pode se estender para 7 ou 8 anos, ou ainda mais, caso o profissional opte por realizar mestrado ou doutorado.
A trajetória para se tornar advogado criminalista é desafiadora e exige dedicação e estudo contínuo. Desde os cinco anos da graduação até a aprovação no Exame da OAB, o caminho envolve uma preparação sólida em disciplinas teóricas e práticas, além da busca por especialização e experiência prática.
É importante destacar que o tempo necessário para atingir plenamente esse objetivo depende do perfil e das escolhas de cada indivíduo. Entretanto, independentemente da duração, a advocacia criminal é uma carreira rica em aprendizado e repleta de possibilidades para quem está disposto a enfrentar os desafios do sistema jurídico brasileiro.
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