Presença não é Competência: Prática Jurídica Vence

Em resumo
  • Vale para network pontual, não para especialização.

A maratona de eventos da OAB-SP escancara um problema que ninguém nomeia: presença virou substituto de competência

O “Universo da Advocacia” da OAB-SP, com dezenas de eventos espalhados por agosto, é sintoma de um comportamento que travou a carreira de boa parte dos advogados entre 2 e 8 anos de OAB: a crença de que colecionar horas de palestra equivale a evoluir tecnicamente. Não equivale. Minha tese é direta — quanto mais eventos de conteúdo passivo um advogado acumula sem nenhum deles exigir uma decisão real sob dado incompleto, mais ele se aproxima da média do mercado, exatamente o lugar de onde ele está tentando sair. O “mês da advocacia” não é uma oportunidade de aprendizado por si só; é um teste de triagem. Quem passa nele sai com um diferencial de honorário. Quem falha sai com um certificado a mais e o mesmo preço de sempre.

A decisão em jogo não é “vou ou não vou aos eventos de agosto”. É: nas próximas quatro semanas, invisto tempo em algo que me testa numa decisão real de caso, ou em algo que apenas me informa sobre um tema que a IA já resume em três parágrafos?

O framework: presença vs. prática

Antes de se inscrever em qualquer atividade de capacitação — evento da OAB, live de LinkedIn, curso de fim de semana — aplique um filtro de uma pergunta só: essa atividade me coloca diante de uma decisão com consequência simulada, ou apenas me entrega informação que eu poderia ler sozinho?

Se a resposta é “só informação”, trate como lazer profissional: pode ser bom para network, mas não conta como especialização. Se a resposta é “decisão simulada” — um caso fictício de contencioso tributário em que você precisa optar entre embargar ou recorrer com dados incompletos sobre o histórico do cliente, por exemplo — isso é capital técnico que muda seu preço de tabela. A diferença entre os dois não é o conteúdo do slide, é o que acontece com o seu cérebro depois: no primeiro caso você memoriza um resumo; no segundo, você constrói um padrão de decisão que se replica no escritório na segunda-feira seguinte.

O cenário que separa quem cresce de quem estagna

Imagine um advogado tributarista, 5 anos de OAB, recebendo a programação completa do “Universo da Advocacia”: doze palestras, quatro delas na área dele. A decisão errada é se inscrever nas quatro, assistir passivamente, postar foto no LinkedIn com a do evento e achar que “se atualizou em tributário”. Resultado prático: zero mudança na forma como ele constrói uma tese de recuperação de crédito ou decide um processo administrativo fiscal complexo. Ele sai de agosto exatamente como entrou, só que mais cansado.

A decisão certa é escolher no máximo um desses eventos — o que tiver o melhor palestrante ou a melhor chance de networking qualificado — e usar o tempo que sobrou para se submeter a uma simulação real de caso, onde o erro tem custo (ainda que simbólico) e o acerto vira repertório. É a diferença entre “ouvir sobre ICMS” e “decidir, sob pressão de prazo, se compensa entrar com mandado de segurança preventivo ou aguardar o auto de infração”. Só a segunda experiência muda comportamento.

Por que simulação de decisão pesa mais que carga horária

É aqui que entra um ponto estrutural pouco discutido: a maioria dos cursos jurídicos brasileiros mede aprendizado por hora-aula, não por qualidade de julgamento. Isso é confortável para quem vende conteúdo, mas inútil para quem contrata. Modelos que usam simuladores de IA para avaliar raciocínio — não decorar teoria — como os da Galícia, funcionam porque geram exatamente o atrito que falta nos eventos de palco: você erra, recebe feedback específico sobre por que errou, e refaz a decisão. Isso é o oposto de assistir uma palestra de uma hora sobre “tendências em compliance criminal” e sair sem nenhuma decisão registrada na memória.

Se o seu objetivo em 2025 é cobrar mais, o critério de escolha de qualquer curso ou especialização deveria ser: ele me obriga a decidir com dados incompletos e me dá curadoria sobre o erro, ou ele só me atualiza? A resposta muda completamente onde você aloca as próximas quatro semanas.

Onde aplicar isso já

Para quem atua ou quer migrar para contencioso tributário — área com alta demanda e baixa oferta de profissionais que decidem bem sob pressão de prazo fiscal — vale menos ir a mais um evento sobre “novidades tributárias” e mais fechar uma especialização estruturada em cima de casos reais.

Conheça a Certificação Profissional em Prática no Contencioso Tributário, pensada exatamente para quem precisa transformar teoria em decisão aplicável em processo real, não em mais um certificado de presença.

5 insights que não cabem num resumo de IA

1. Certificado de presença virou sinal negativo, não positivo. Escritórios maiores já filtram currículos desconfiando de quem tem excesso de “participações em eventos” e escassez de “casos decididos”. Excesso de presença sem produção sinaliza dispersão, não dedicação.

2. A curva de esquecimento de palestra de um dia é brutal. Estudos de retenção mostram queda de mais de 70% do conteúdo em duas semanas quando não há aplicação prática imediata. Um evento de agosto, sem exercício de decisão associado, praticamente não existe em outubro.

3. Cliente não paga por conhecimento, paga por redução de incerteza. O advogado que cobra mais não é o que sabe mais teoria, é o que decide mais rápido e com mais precisão diante de um cenário incerto — exatamente o que simulação de caso treina e palestra não treina.

4. Especialização genérica dilui seu preço. Ir a quatro eventos em áreas diferentes no mesmo mês (penal, tributário, LGPD, trabalhista) parece “network amplo”, mas na prática sinaliza ao mercado que você não tem nicho — e quem não tem nicho compete por preço, não por valor.

5. O verdadeiro ROI de agosto se mede em setembro, não em agosto. A pergunta certa não é “quantos eventos participei”, é “que decisão eu tomo diferente num caso real daqui a 30 dias por causa do que fiz esse mês”. Se a resposta é “nenhuma”, o mês foi socialmente produtivo e tecnicamente vazio.

Perguntas que esse profissional realmente faz

Vale a pena me inscrever em vários eventos do “Universo da Advocacia”?

Vale para network pontual, não para especialização. Escolha no máximo um ou dois por critério de relevância direta com sua área de atuação e reserve o restante do tempo para uma formação que te teste em decisão real.

Como decidir entre evento gratuito e curso pago nesse período?

Use o filtro presença vs. prática: se o evento vai te expor a um caso simulado com feedback, priorize; se é só palestra expositiva, trate como complemento e não como substituto de especialização.

Que sinal devo dar ao mercado de que sou especialista, e não só “frequentador de eventos”?

Certificações que envolvem avaliação de raciocínio aplicado — não apenas carga horária — comunicam isso melhor no currículo e nas conversas de honorário do que uma lista de participações em palestras.

Quanto tempo depois de uma especialização estruturada faz sentido reajustar meus honorários?

Assim que você conseguir aplicar a decisão treinada em pelo menos dois casos reais com resultado positivo documentado — geralmente entre 60 e 90 dias após concluir a formação.

Como usar agosto de forma estratégica sem virar “turista de eventos”?

Defina antes do mês qual é a única área em que você quer avançar, escolha um evento de rede nessa área e destine o restante do tempo a uma formação com simulação prática — não a mais conteúdo passivo.

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Este artigo teve a curadoria do time da Galícia Educação e foi escrito utilizando inteligência artificial a partir de seu conteúdo original em https://www.conjur.com.br/2026-jul-21/no-mes-da-advocacia-oab-de-sao-paulo-promovera-maratona-de-eventos/.

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