Estamos vivendo uma transição inegável. A Inteligência Artificial generativa deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma ferramenta presente na mesa de líderes, advogados, gestores e profissionais de todas as áreas. No entanto, a euforia inicial com a capacidade da IA de gerar textos, imagens e análises em segundos está dando lugar a uma constatação mais sóbria: a tecnologia, por si só, não é a bala de prata. A maioria dos profissionais ainda não percebeu que o real impacto da IA não está na ferramenta, mas na forma como interagimos com ela.
Muitos se queixam de respostas genéricas, informações superficiais ou resultados que não atendem às suas expectativas. O problema, na maioria das vezes, não está no algoritmo, mas na pergunta. A verdade é que usar IA não é mais um diferencial; é um requisito mínimo. O verdadeiro diferencial competitivo está emergindo na habilidade de dialogar com a tecnologia de forma eficaz. Esta é a essência das Human to Tech Skills.
A tese central que venho defendendo é que a maior lacuna no desenvolvimento profissional hoje não é a falta de acesso à tecnologia, mas a falta de habilidades para extrair valor dela. A capacidade de formular a pergunta certa — o “prompt” — é uma mistura de arte e ciência. Exige pensamento crítico, clareza de raciocínio, criatividade e um profundo entendimento do contexto do negócio.
Segundo um artigo da Harvard University Information Technology (HUIT), prompts genéricos geram resultados genéricos. A qualidade da resposta de uma IA é diretamente proporcional à qualidade da instrução que ela recebe. Perguntar “escreva sobre liderança” resultará em um texto superficial. Mas perguntar “Aja como um consultor de gestão da McKinsey e escreva um memorando para um CEO de uma empresa de tecnologia em crescimento, destacando os três maiores desafios de liderança na retenção de talentos da Geração Z e proponha uma solução acionável para cada um” muda o jogo completamente.
Desenvolver a habilidade de “conversar” com a IA é um investimento direto em sua relevância profissional. Aqui estão cinco princípios fundamentais para transformar suas interações com a IA e gerar resultados de alta performance.
A IA não tem o seu conhecimento de mundo, da sua empresa ou do seu projeto. Antes de pedir uma tarefa, forneça o máximo de contexto relevante.
Uma das técnicas mais poderosas é atribuir um papel ou uma persona à IA. Isso ajuda o modelo a adotar um tom, um estilo e uma base de conhecimento específicos. Conforme destacado pela HUIT, pedir à IA para “agir como se fosse” um especialista melhora drasticamente a qualidade das respostas.
Seja explícito sobre o que você quer, o formato da resposta, o tamanho e quaisquer outras restrições. A ambiguidade é a principal causa de resultados ruins. A consultoria Gartner define prompt engineering como a disciplina de fornecer inputs para confinar o conjunto de respostas que o modelo pode produzir, garantindo um resultado mais desejado.
Não espere a resposta perfeita na primeira tentativa. O verdadeiro poder da IA generativa está na sua capacidade de dialogar. Use a primeira resposta como ponto de partida e refine-a com perguntas de acompanhamento.
Exemplo de Iteração:
A IA é uma ferramenta de aceleração de ideias, não uma fonte infalível de verdade. Ela pode “alucinar” — inventar fatos, fontes e dados. É aqui que as Power Skills, como o pensamento crítico, se tornam indispensáveis. Sempre verifique informações cruciais e use a IA como um parceiro de brainstorming, não como um substituto para o seu julgamento. Conforme a Pearson TalentLens aponta, a capacidade de analisar situações complexas e questionar-se continua sendo uma habilidade essencialmente humana na era da IA.
Dominar a tecnologia é importante, mas dominar a interação com ela é o que definirá os líderes e profissionais de sucesso nos próximos anos. A capacidade de fazer perguntas inteligentes, profundas e bem estruturadas é o elo humano que transforma o potencial bruto da Inteligência Artificial em valor real e tangível para os negócios e para a carreira.
A qualidade da sua liderança e dos seus resultados será, cada vez mais, um reflexo da qualidade das perguntas que você faz.
A sua interação com a IA tem sido mais um monólogo ou um diálogo estratégico?
Otello Bertolozzi Neto
CEO, Coach Executivo e Conselheiro. Ajuda líderes e profissionais da advocacia a se adaptarem e prosperarem na era da Inteligência Artificial, focando em estratégia, pessoas e no desenvolvimento de Power Skills.
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