Nos últimos anos, o mercado de trabalho tem se mostrado cada vez mais competitivo, tornando a busca por um novo emprego uma tarefa árdua e muitas vezes desgastante. Com a pandemia, esse cenário se intensificou ainda mais, aumentando a concorrência e diminuindo as chances de sucesso em uma entrevista de emprego.
De acordo com o Bureau of Labor Statistics, órgão responsável pelas estatísticas de emprego nos Estados Unidos, a chance de receber uma oferta de emprego após se candidatar a 80 vagas é de apenas 31%. Esse número é alarmante e mostra a importância de se destacar em meio aos demais candidatos.
Diante dessa realidade, muitas pessoas têm recorrido às ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para otimizar o processo de busca por um novo emprego. E no mundo do Coaching, não poderia ser diferente.
Uma das maiores redes sociais profissionais do mundo, o LinkedIn, tem investido em diversas ferramentas de IA para ajudar os usuários na busca por um novo emprego. Segundo a plataforma, mais de 90% dos assinantes premium encontraram os recursos úteis.
Uma das ferramentas oferecidas é a possibilidade de utilizar a IA para compor ou reescrever o currículo e a carta de apresentação, além de criar postagens originais e mensagens personalizadas para os recrutadores. Essa ferramenta é baseada e alimentada pelo ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, que recebeu um investimento de mais de 14 bilhões de dólares da Microsoft, empresa detentora do LinkedIn.
Outra ferramenta disponível é o job-assessment, que identifica as vagas em que o usuário tem mais chances de ser selecionado e as marca com um quadrado dourado. O processo funciona através da análise de palavras-chave no perfil do candidato em relação à descrição da vaga. Quanto mais detalhado e completo o perfil, melhores serão os resultados. No entanto, não há dados disponíveis sobre a eficácia dessa ferramenta em acelerar o processo de busca por emprego.
Mesmo com o auxílio da IA, é preciso tomar cuidado ao utilizar essas ferramentas na elaboração do currículo e carta de apresentação. Alguns erros comuns causados pela geração automática de textos incluem estatísticas fabricadas e frases vagas, como “eficiência operacional”. Esses erros podem ser detectados pelos recrutadores e prejudicar a imagem do candidato.
O recrutador e escritor de currículos Sam Struan, de Glasgow, estima que cerca de 60% de seus clientes chegam com currículos gerados por IA e com dificuldades em conseguir entrevistas. Ele afirma que, muitas vezes, é necessário remover o excesso de informações e dar um toque mais humano ao texto para aumentar as chances de sucesso do candidato.
O designer Ryan Hunt, de Chicago, relata que tem buscado um novo emprego há mais de um ano, sem sucesso. Ele utiliza a IA para escrever suas cartas de apresentação, mas até o momento não recebeu nenhum convite para entrevistas nas vagas em que utilizou esse recurso. No entanto, quando se candidatou a vagas sem o uso da IA, conseguiu ser chamado para entrevistas.
Esse relato não é isolado. No final de 2020, o Bureau of Labor Statistics constatou que o número de pessoas desempregadas por mais de 27 semanas havia aumentado nos últimos anos, chegando a 1,7 milhão de pessoas. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho está forte, com uma taxa de desemprego de apenas 4,2%.
Muitos candidatos se perguntam se os recrutadores conseguem identificar quando o currículo foi gerado por IA. A resposta é sim. Além disso, muitos recrutadores têm utilizado as redes sociais para reclamar do papel cada vez maior da IA no processo de seleção.
De acordo com uma pesquisa realizada pela plataforma de carreira CV Genius, 80% dos recrutadores têm aversão ao conteúdo gerado por IA e 74% afirmam ser capazes de identificar quando um currículo foi criado dessa forma. Para evitar esse tipo de situação, é importante evitar o uso de termos genéricos e frases prontas, como “gerar sinergia”.
No entanto, apesar das polêmicas envolvendo o uso de dados dos usuários do LinkedIn sem aviso prévio para treinar seus modelos de IA, muitos usuários da plataforma são a favor do uso dessa tecnologia. Segundo um estudo realizado e divulgado pela Wired, mais de 50% das publicações longas no LinkedIn podem conter trechos escritos por IA.
O LinkedIn defende que suas ferramentas são desenvolvidas para ajudar tanto os candidatos quanto os recrutadores a identificar os melhores perfis para cada vaga. Além disso, a plataforma afirma que a IA é apenas uma ferramenta de auxílio e que, no final das contas, são as pessoas que contratam, não as ferramentas.
Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, é natural que as pessoas busquem formas de se destacar para conseguir um novo emprego. O uso da IA pode ser uma ferramenta útil para otimizar o processo de busca, mas é importante utilizá-la com cautela e sempre lembrar que, no final das contas, são as habilidades e competências humanas que serão avaliadas pelos recrutadores.
Além disso, é importante ter em mente que cada pessoa é única e tem suas próprias qualidades e experiências a serem valorizadas. Por isso, é essencial trazer um toque pessoal à elaboração do currículo e carta de apresentação para se destacar em meio à concorrência.
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Este artigo teve a curadoria de Otello Bertolozzi Neto. Cofundador e CEO da Galícia Educação. Coach profissional e executivo com larga experiência no mundo digital e mais de 20 anos em negócios online. Um dos pioneiros em streaming media no país. Com passagens por grandes companhias como Estadão, Abril, e Saraiva. Na Ânima Educação, ajudou a criar a Escola Brasileira de Direito e a HSM University dentre outras escolas digitais que formam dezenas de milhares de alunos todos os anos.
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