A tese é simples e incômoda: quando Jamie Dimon diz que a IA eliminou 30% a 40% das vagas em departamentos específicos do JPMorgan, o número que importa não é o percentual. É o critério de seleção que ficou invisível na entrevista. Quem sobrou não foi quem produzia mais relatórios, mais planilhas ou mais análises por hora. Foi quem tomava decisões que a IA ainda não sabe tomar sozinha — julgamentos com informação incompleta, sob pressão de tempo, com consequência reputacional. Para um gestor ou coordenador de 28 a 42 anos mirando a cadeira de gerente sênior ou sócio, isso reescreve o critério de promoção: não é mais “quem entrega mais volume”, é “quem decide melhor quando falta 30% da informação”.
A decisão central que todo gestor nessa faixa etária vai enfrentar nos próximos 18 meses: continuar acumulando competência em execução (que a IA está comoditizando) ou migrar deliberadamente para competência em decisão sob ambiguidade (que ainda não tem substituto de máquina)? Escolher errado não é neutro — é ficar do lado dos 40% realocados, não promovidos.
Divida qualquer função — a sua ou a de quem você lidera — em três blocos:
E (Execução codificável): tarefas com regra clara, input padronizado, output verificável. Consolidar relatório mensal, gerar apresentação a partir de dados prontos, responder e-mails recorrentes. É exatamente aqui que o token de IA citado pelo CFO Jeremy Barnum entra: cada tarefa E vira uma linha de custo de IA que substitui uma linha de custo de salário.
J (Julgamento contextual): tarefas onde a regra existe mas a aplicação exige leitura de contexto — negociar um prazo com um cliente difícil, calibrar um feedback duro, decidir se um dado “estranho” é erro ou sinal. A IA aumenta a velocidade aqui, mas ainda erra na leitura fina.
D (Decisão sob ambiguidade real): situações sem precedente claro, onde a métrica de sucesso é ambígua e o custo do erro é alto — decidir se corta um projeto estratégico no meio do caminho, se reestrutura uma equipe, se aposta em um mercado sem dado histórico. Aqui a IA é assessora, nunca decisora.
O erro que a maioria dos coordenadores de 30 e poucos anos comete é otimizar a própria carreira dentro do bloco E — ficar “mais rápido” em tarefas que a IA vai automatizar de qualquer forma. A decisão certa é redesenhar deliberadamente o próprio dia de trabalho para reduzir tempo em E e aumentar exposição documentada a D, mesmo que isso pareça, no curto prazo, menos produtivo.
Imagine um coordenador de planejamento financeiro que hoje gasta 70% do tempo consolidando relatórios mensais (bloco E) e 30% discutindo com a diretoria se um investimento deve ser adiado (bloco D). A empresa anuncia uma ferramenta de IA para automatizar a consolidação. A decisão errada é resistir à ferramenta para “proteger o cargo” — isso sinaliza ao gestor acima que a pessoa é substituível por definição. A decisão certa é pedir para liderar a implementação da ferramenta e usar o tempo liberado para se inserir formalmente nas discussões de bloco D, documentando as decisões tomadas e o racional usado. Em seis meses, o primeiro perfil está na lista de realocação; o segundo está na lista de promoção.
É aqui que a competência decisória deixa de ser abstrata. Simuladores como os da Active IA, usados na Galícia, não ensinam conteúdo — eles colocam o profissional dentro de cenários de ambiguidade real (dado incompleto, prazo curto, stakeholders com interesses opostos) e avaliam o raciocínio por trás da escolha, não apenas o resultado final. É o equivalente estruturado ao que o coordenador do exemplo acima precisa fazer sozinho, sem supervisão: acumular repertório de decisão sob pressão antes que o mercado exija isso sem aviso prévio, como aconteceu com os departamentos cortados no JPMorgan.
1. O benefício de recolocação interna oferecido pelo JPMorgan é, na prática, um teste de aptidão disfarçado de política de RH. Quem foi realocado com sucesso é quem já tinha, mesmo sem saber, competência de bloco J ou D suficiente para justificar outro papel. Quem não conseguiu recolocação não perdeu o emprego pela IA — perdeu porque nunca tinha saído do bloco E.
2. O aumento futuro de gasto com tokens de IA, mencionado por Barnum como algo a “vigiar”, é um indicador antecedente de onde vêm os próximos cortes. Departamento que consome mais tokens por funcionário é departamento onde a proporção de tarefas E é maior — e isso é mensurável antes de qualquer anúncio de reestruturação.
3. A negação corporativa (“os cortes não são por causa de IA”, como disse a Microsoft) deve ser lida como sinal contrário. Gestor que aceita a narrativa oficial da empresa sobre a causa de um corte está tomando decisão de carreira com dado adulterado. A pergunta certa não é “por que cortaram”, é “quem exatamente ficou”.
4. A automação ataca primeiro o meio da pirâmide, não a base. O trabalho de entrada ainda exige supervisão humana ambígua e formação; o trabalho de coordenação de rotina é o mais fácil de codificar porque já é, por natureza, repetitivo e documentado. Isso inverte a intuição de que “quem começa é mais vulnerável” — o coordenador de 30 e poucos anos, não o analista júnior, é quem está na mira mais imediata.
5. Sam Altman e Dario Amodei mudando o discurso sobre a velocidade do impacto da IA não significa que o risco diminuiu — significa que o timing ficou mais imprevisível, o que é pior para quem planeja carreira com base em previsão linear. Planejar “eu tenho três anos até isso me afetar” é a aposta mais frágil possível nesse cenário.
Liste as dez tarefas que mais consumiram seu tempo na semana passada. Classifique cada uma em E, J ou D. Se mais de 50% caiu em E, marque uma conversa com seu gestor direto pedindo para assumir explicitamente uma responsabilidade de bloco D no próximo trimestre — mesmo que informalmente. Documente as decisões que você toma nesse bloco: o dado disponível, a alternativa descartada, o racional. Esse registro é o portfólio que substitui o currículo tradicional na hora da promoção.
Para quem quer acelerar essa transição com estrutura e não por tentativa e erro, vale conhecer a Certificação Profissional em Inovação e Transformação Digital da Galícia — desenhada justamente para quem precisa migrar de executor para decisor antes que o mercado faça essa escolha por você.
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Este artigo teve a curadoria do time da Galícia Educação e foi escrito utilizando inteligência artificial a partir de seu conteúdo original em https://www.fastcompany.com/91573524/jamie-dimon-says-jpmorgan-has-slashed-40-of-jobs-in-some-departments-thanks-to-ai?partner=rss&utm_source=rss&utm_medium=feed&utm_campaign=rss+fastcompany&utm_content=rss.
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