Cadeia de custódia: perícia aponta alteração de arquivos | Galícia Educação

Em resumo
  • Com base nas conclusões da perícia particular, a defesa de Vorcaro afirmou ao STF que não é possível verificar a integralidade do conteúdo do celular nem avaliar o alcance das alterações identificadas nos arquivos.
  • A perícia particular foi protocolada um dia depois de a Polícia Federal indiciar Vorcaro e mais 14 investigados na Operação Compliance, em 28 de outubro de 2025 (quarta-feira).
  • Há divergência explícita entre a apuração policial e a defesa quanto a dois pontos centrais, e cada versão está atribuída a quem a sustenta.
  • Há apenas uma fonte consultada para este assunto, a Agência Brasil, e o relato dela não cobre pontos que normalmente seriam decisivos para avaliar o alcance do pedido de soltura e da perícia particular.

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro entregou ao Supremo Tribunal Federal, nesta quinta-feira (29), uma perícia particular realizada no celular do investigado, apreendido pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025. Segundo o laudo apresentado pelos advogados, 657 arquivos do aparelho apresentam registro de modificação e outros 436 foram criados depois da apreensão — período em que o celular já estava sob custódia da Polícia Federal e do Estado.

O aparelho é apontado pela investigação como a principal prova das relações de Vorcaro com políticos e das supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB) e o Banco Master, do qual o investigado era controlador.

Defesa pede ao STF acesso aos dados originais e soltura imediata

Com base nas conclusões da perícia particular, a defesa de Vorcaro afirmou ao STF que não é possível verificar a integralidade do conteúdo do celular nem avaliar o alcance das alterações identificadas nos arquivos. Em trecho citado pela defesa, o advogado classificou como "estarrecedor" que o perito tenha identificado centenas de arquivos com registro de modificação "quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado".

A partir desse diagnóstico, o pedido formulado ao Supremo tem duas frentes: que a Polícia Federal entregue os dados originais do celular para nova verificação, e que o tribunal determine a soltura de Vorcaro, hoje preso há mais de oito meses e com a liberdade restringida há quase um ano. A defesa argumenta que a soltura seria "urgente, necessária e obrigatória" diante da ausência, até o momento, de qualquer acusação formal ou processo instaurado contra o investigado.

O próprio pedido da defesa faz uma ressalva técnica relevante: o registro de modificação em um arquivo, isoladamente, não permite concluir que a alteração tenha sido feita diretamente por uma pessoa. Segundo o texto apresentado ao STF, o que o laudo evidencia é que "o estado do arquivo foi alterado enquanto o aparelho se encontrava sob custódia estatal" — distinção entre autoria da alteração e mera constatação de que ela ocorreu durante a custódia.

Indiciamento da PF antecedeu a entrega do laudo em um dia

A perícia particular foi protocolada um dia depois de a Polícia Federal indiciar Vorcaro e mais 14 investigados na Operação Compliance, em 28 de outubro de 2025 (quarta-feira). De acordo com o relatório de indiciamento da PF, o ex-banqueiro teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master que, segundo a corporação, causaram prejuízos ao BRB.

A PF concluiu que, na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro "ocupava o centro decisório da estrutura examinada" e era "o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição". Todos os 15 indiciados foram apontados pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Versões contrapostas sobre prejuízo ao BRB e sobre o avanço da apuração

Há divergência explícita entre a apuração policial e a defesa quanto a dois pontos centrais, e cada versão está atribuída a quem a sustenta.

A Polícia Federal, no relatório de indiciamento, sustenta que as operações com carteiras de crédito do Master causaram prejuízo ao BRB e aponta Vorcaro como beneficiário econômico central do esquema.

Os advogados de Vorcaro, por sua vez, negam que as operações tenham gerado prejuízo ao banco público. Segundo a defesa, "o negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília". A defesa acrescenta que, um ano após o início das investigações, nenhuma perícia oficial apurou prejuízo e que a PF "se limita a repetir a mesma narrativa" sem avançar na apuração.

O que a fonte disponível não esclarece

Há apenas uma fonte consultada para este assunto, a Agência Brasil, e o relato dela não cobre pontos que normalmente seriam decisivos para avaliar o alcance do pedido de soltura e da perícia particular. O texto não identifica qual perito ou empresa realizou o laudo particular, nem detalha a metodologia usada para apontar a criação e modificação dos arquivos. Também não há, na fonte, qualquer manifestação da Polícia Federal ou do Ministério Público sobre as conclusões da perícia particular — o contraditório técnico, até a publicação da matéria, não havia sido apresentado. Por fim, a reportagem não informa se o ministro relator já decidiu, ou tem prazo para decidir, o pedido de soltura e o pedido de acesso aos dados originais do celular; trata-se de ponto que depende de decisão ainda pendente no STF.

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Cinco pontos de atenção neste caso

1. A perícia particular aponta 657 arquivos modificados e 436 criados no celular de Vorcaro após a apreensão ocorrida em 17 de novembro de 2025.

2. O pedido da defesa ao STF tem dois objetos: entrega dos dados originais do celular pela PF e soltura imediata do investigado.

3. O indiciamento da PF, de 28 de outubro de 2025, atribui a Vorcaro e a mais 14 pessoas os crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

4. Não há, na fonte consultada, manifestação da Polícia Federal sobre as conclusões do laudo particular apresentado pela defesa.

5. O caso ainda não teve decisão do STF divulgada sobre os pedidos de acesso aos dados originais e de soltura, conforme a informação disponível até a publicação da matéria.

O que a perícia particular da defesa de Vorcaro concluiu? Segundo o laudo entregue ao STF, 657 arquivos do celular apreendido apresentam registro de modificação e 436 foram criados após a apreensão, ocorrida em 17 de novembro de 2025, período em que o aparelho já estava sob custódia da Polícia Federal e do Estado.

O que a defesa pediu ao Supremo com base nesse laudo? A defesa pediu que a Polícia Federal entregue os dados originais do celular para nova verificação e que o STF determine a soltura de Vorcaro, classificada como "urgente, necessária e obrigatória" diante da ausência de acusação formal até o momento.

O registro de modificação em um arquivo prova que alguém alterou o conteúdo deliberadamente? Não, segundo o próprio pedido da defesa: o registro de modificação, isoladamente, não permite concluir que a alteração foi feita diretamente por uma pessoa. Ele evidencia apenas que o estado do arquivo mudou enquanto o aparelho estava sob custódia estatal.

Por quais crimes Vorcaro foi indiciado pela Polícia Federal? Pelo relatório de indiciamento de 28 de outubro de 2025, Vorcaro e mais 14 investigados na Operação Compliance foram indiciados por gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal já respondeu às conclusões da perícia particular? A fonte consultada não registra manifestação da Polícia Federal sobre o laudo particular apresentado pela defesa, nem indica se o STF já decidiu os pedidos de acesso aos dados originais e de soltura.

Fontes consultadas

Este texto foi apurado a partir das publicações abaixo. As informações atribuídas a órgãos, normas e decisões devem ser conferidas na fonte oficial correspondente.

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