Um estudo conduzido por Nitin Nohria, ex-reitor da Harvard Business School, em parceria com o economista Michael E. Porter, mediu como executivos-chefes distribuem seu tempo ao longo do dia, codificando a agenda de CEOs em intervalos de 15 minutos, 24 horas por dia. Publicada originalmente em 2018, essa pesquisa é a base de um livro novo de Nohria, "The CEO: The Role, the Reality, the Responsibility", lançado no mês passado, e de uma entrevista recente em que o próprio autor resume a conclusão central: o papel do CEO muda pouco ao longo das décadas, mesmo quando o contexto — tecnologia, regulação, costumes sociais — se transforma continuamente.
Nohria coordena desde 1997 o New CEO Workshop, programa de educação executiva da Harvard Business School voltado a executivos que acabaram de assumir o cargo de CEO, oferecido por convite através do braço de educação executiva da instituição. É nesse programa que ele coleta, há quase três décadas, o relato de novatos sobre o que mais os surpreendeu ao assumir a posição.
De acordo com Nohria, os mesmos três pontos aparecem recorrentemente quando ele pergunta a novos CEOs o que os surpreendeu no início do mandato: a exposição constante e permanente ao escrutínio público; a percepção de que não é possível administrar a empresa tomando todas as decisões pessoalmente; e a fragmentação ainda maior de uma agenda que já era cheia antes da promoção.
Para lidar com isso, Nohria resume a orientação que costuma dar: "não dá para vencer esse trabalho trabalhando mais" — o papel do CEO, segundo ele, é moldar o contexto para que outras pessoas tomem decisões que o próprio executivo possa celebrar, em vez de tentar conduzir pessoalmente o desempenho da companhia.
O levantamento de Nohria e Porter, que codificou a agenda de CEOs minuto a minuto, encontrou que apenas 3% do tempo desses executivos é dedicado a clientes. Segundo Nohria, funcionários da linha de frente e clientes continuam recebendo atenção proporcionalmente menor do que outros públicos, porque, na prática, "a roda que range é a que recebe graxa" — ou seja, stakeholders que fazem exigências diretas (conselho, investidores, reguladores) tendem a capturar a agenda, enquanto os que não cobram diretamente ficam para trás.
A recomendação prática atribuída a Nohria para reverter esse padrão é agendar deliberadamente essas interações: "coloque na agenda — se não estiver agendado, o risco de se perder é muito alto na vida de um CEO."
Nohria aponta duas mudanças concretas na forma como CEOs ocupam o tempo desde a primeira publicação da pesquisa com Porter: reuniões virtuais se tornaram mais comuns depois da pandemia de Covid-19, e o tempo dedicado a interações com reguladores tende a ser maior hoje do que era há uma década. Fora esses dois pontos, segundo ele, a estrutura geral de alocação de tempo permanece parecida com a observada originalmente.
Nohria afirma que ferramentas de inteligência artificial começam a influenciar a forma como CEOs administram o tempo, citando como exemplo o uso de assistentes como o Copilot para analisar calendários e sinalizar desequilíbrios — por exemplo, sugerindo reorganizar compromissos para abrir espaço para encontros com funcionários e clientes. Ele compara essa função a "um bom chefe de gabinete que empurra você a fazer a coisa certa", mas não detalha, na entrevista, qual proporção de CEOs já adota esse tipo de ferramenta nem estudos quantitativos sobre o impacto dela na alocação de tempo.
A fonte consultada registra a entrevista de Nohria sem reproduzir a metodologia completa do estudo original de 2018 com Porter: não há, no material disponível, o número de CEOs observados, os setores ou países representados na amostra, nem o período total de coleta de dados. O texto também não especifica o conteúdo integral do novo livro de Nohria além dos temas discutidos na conversa, nem apresenta dados atualizados e quantificados sobre como a distribuição de tempo dos CEOs mudou numericamente desde 2018 — as mudanças mencionadas (mais reuniões virtuais, mais tempo com reguladores) são descritas qualitativamente, sem percentuais comparativos. Não há, até o momento, outra fonte localizada que amplie ou contraponha esses pontos.
Quem acompanha o assunto pode observar publicações futuras vinculadas ao livro "The CEO: The Role, the Reality, the Responsibility", bem como eventuais novos estudos de Nohria ou de Michael Porter que atualizem a pesquisa de alocação de tempo de CEOs. Não há, na fonte disponível, indicação de prazo para a divulgação de dados mais recentes e comparáveis ao levantamento de 2018.
Para quem lidera equipes ou times e observa esse tipo de padrão no próprio dia a dia, programas de MBA Executivo ou pós-graduação em liderança organizacional costumam trabalhar exatamente a transição entre executar tarefas e estruturar contextos de decisão — um dos pontos centrais discutidos por Nohria. Vale consultar a página de cursos da instituição para programas voltados a gestores que buscam preparação para cargos de liderança sênior.
1. O estudo de referência sobre alocação de tempo de CEOs foi conduzido por Nitin Nohria e Michael E. Porter, publicado em 2018.
2. A pesquisa aponta que CEOs dedicam, em média, 3% do tempo a interações diretas com clientes.
3. O livro mais recente de Nohria, "The CEO: The Role, the Reality, the Responsibility", foi lançado no mês anterior à entrevista.
4. O New CEO Workshop, programa de Harvard Business School coordenado por Nohria desde 1997, é a fonte das observações sobre as surpresas recorrentes de novos CEOs.
5. Não há, na fonte consultada, dados numéricos atualizados que quantifiquem as mudanças recentes citadas (reuniões virtuais, tempo com reguladores) em comparação com o levantamento original de 2018.
O que a pesquisa de Nitin Nohria concluiu sobre o papel do CEO?
Segundo Nohria, o papel central do CEO — definir uma visão, formar uma equipe sênior extraordinária e alinhar a organização para que outras pessoas tomem boas decisões — permanece estável ao longo de três décadas, mesmo que o contexto em que esse papel é exercido mude constantemente.
Quem conduziu o estudo sobre a alocação de tempo de CEOs?
O levantamento foi conduzido por Nitin Nohria, ex-reitor da Harvard Business School, em parceria com o economista Michael E. Porter, publicado em 2018.
Quanto tempo os CEOs dedicam a clientes, segundo o estudo?
O estudo de Nohria e Porter encontrou que CEOs dedicam, em média, apenas 3% do tempo a interações diretas com clientes.
Como a inteligência artificial está sendo usada na gestão da agenda dos CEOs?
Segundo Nohria, ferramentas como o Copilot vêm sendo usadas para analisar calendários e sugerir ajustes, funcionando como um auxiliar que estimula o executivo a reservar tempo para funcionários e clientes.
O material disponível detalha a metodologia completa do estudo de 2018?
Não. A entrevista menciona que a pesquisa codificou a agenda de CEOs em intervalos de 15 minutos, 24 horas por dia, mas não especifica o número de executivos estudados, os setores envolvidos ou o período total de coleta.
Este texto foi apurado a partir das publicações abaixo. As informações atribuídas a órgãos, normas e decisões devem ser conferidas na fonte oficial correspondente.
Para quem quer o próximo passo: de coordenação para gerência, de gerência para head.
Ver os MBAs e pós